27 de fevereiro de 2011

Chronic Dissatisfaction


"Ontem de manhã quando acordei
Olhei a vida e me espantei
Eu tenho mais de 20 anos
E eu tenho mais de mil perguntas sem respostas
Estou ligada num futuro blue" - Elis


Como sempre, muito tempo sem escrever. Acredito que vou ser SEMPRE assim... Sempre abandonando algumas coisas. Hoje eu quero e preciso falar de tantas coisas. Todas as coisas que andam me fazendo "puxar tanta angústia".
Primeiro essa situação de abandonar, não bem abandonar no sentido de deixar ao léu. Mas sim de "largar mão", afastar e aí quando percebo, o tempo já passou, como passa pra tudo... Me afasto de amigos, aqueles não tão amigos, de situações, de prazeres, do conhecimento. Não é muito agradável pensar: "nossa, como eu gostava de conversar com aquela pessoa" e perceber que o tempo já passou de tal forma que o assunto não flui, a boca trava, as palavras não saem. Ou então: "como era bom fazer tal coisa", mas simplismente não a faço mais. O que mais me dói são as pessoas que já me afastei. Que agora, já não me pertecem. Já não fazem parte dos meus números mais discados. Prezo muito boas conversas. Sou falante e impetuosa, quem me conhece pouco já percebe o quanto. Mas mesmo defendendo todas a minhas opniões, adoro ouvir a dos outros, compartilhar e talvez no final de uma boa conversa mudá-la. E tem dias que eu lembro de quanto era bom ter certas conversas que já não tenho a tanto.
Acredito no livre-arbítrio. Não obstante não posso abrir mão de acreditar em destino. Não, por favor, não destinos amorosos - nada de novelas - mas no destino que nossas escolhas "livres-abitrárias" fazem. Afinal, eu você, todos nós fazemos escolhas. Não dá pra fingir que essas escolhas nos trazem certas coisas que nãos ecolhemos. As escolhas que a gente faz, nem sempre vem com a bagagem que a gente quer. Por isso o destino. Que nos traz pessoas e levam. Mas será mesmo que precisa ser assim?
Tudo isso me fez lembrar "Vick Cristina Barcelona". Meu DEUS, a cena que a Crisitna (Scarlett Johansson) diz a Juan Antonio ( Javier Bardem - deus) e a Maria Elena (Penélope Cruz - deusa) que vai embora é magnifica, para mim a mais marcante do filme, que traduz tudo:
" Maria Helena: Como lo sabia! Como lo sabia!
Juan Antonio: Speak English, please, so she can understand all right?
Maria Helena:  Chronic dissatisfaction, that's what you have. Chronic dissatisfaction. Big sickness. Big sickness.
Sinto essa insatisfação cronica diariamente, as escolhas fazem eu me sentir assim. Não só as escolhas, as NÃO escolhas. Não poder escolher, não poder jogar tudo pro alto e falar: NÃO QUERO ISSO MAIS PRA MIM! E esse não poder, é uma mão invisível (como aquela que move o economia capitalista), que me diz o que fazer e o que não fazer. São as escolhar anteriores que ditam o que eu posso ou não. PODER, quem tem que falar o que eu posso ou não sou só eu? SERÁ? Por mais livre, mes sinto presa. E as consequencias? 
O mais duro da Chronic Dissatisfaction é viver com ela diariamente e somente  viver, viver e viver. A (pouca) maturidade que me veio com o tempo, já me mostrou que esse mesmo tempo é o melhor remédio, mas talvez não seja a melhor escolha.
Mas claro, é a instatisfação que fez o mundo mudar, então prefiro conviver com essa "grave doença" a ter que abandoná-la. Aos poucos eu vou tomando coragem de ir a fundo, de arriscar e sim, descobrir a roupa que me cabe. Mas durante esse período tenho que aprender a ter as pessoas junto de mim. 

http://www.youtube.com/watch?v=M0MG7pMpX9s (Link do Filme)

19 de julho de 2010

Reflexo

Algum tempo depois, volto com a (des) pretensão de escrever, ou desabafar, sobre beleza, ou melhor a imagem, o reflexo que a gente tem das outras pessoas. Longe de mim levantar a velha questão sobre a manipulação de esteriótipos. Do que é ou não belo. Gosto é gosto.
A questão que vem pairando em minha imaginaçãozinha fértil, é da super-desvalorização do conteúdo. Ok, ok, um grande clichê de o que vale é o conteúdo. Mas não é exatamente isso. Desconheço alguém que nunca tenha se aproximado de outra por sua aparência. Seja ela qual for. Aparência atrai. E não estou falando somente daquela aparência esteriotipada: Loura gostosona, Morena boazuda, "Moreno alto, bonito e sensual". Falo da aparência que atrai cada um de nós, seja qual for o nosso gosto. Qual é o meu? hahahaha, Agora não importa!
Mas infelizmente, são tão poucas as pessoas que querem ter aparência e conhecimento. Não falo, e nem pretendo dizer sobre escolaridade. Mas de sabedoria, cultura e por aí já estaria bom. Fico pensando, existe algo mais efêmero que beleza (ou mesmo somente aparência)? A nossa aparência muda, de tempos em tempos. E de tempos em tempos passamos, talvez, atrair pessoas diferentes, com gostos diferentes.
E quando penso nisso, de quão passageiro é o nosso reflexo, minha imaginação vai até o futuro. Em uma cena de quando formos velhinhos, sentados na varanda, com netos, ou somente crianças ao redor. E aí o que teremos de sábio para contar? Ou até mesmo quantos de nós jovens, a nova geração, se interessa por escrever (escrever com qualidade) como nosso autores favoritos. Muitos começaram jovens. E quem de nós está se interessando por isso? Quem de nós tem "bagagem" o suficiente para escrever. Escrever é dom, é claro que sim. Mas é necessário também conhecimento, cultura, não só imaginação, é essa a bagagem. E o exemplo não é necessário somente em relação a literatura, mas em tudo. As universidades "laçam" seu alunos cada vez mais, mas eu tenho sérias dúvidas de os que formam não são somente aqueles preparados. Se deixaram de ser ignorantes. É fácil se manter estudando somente com o que é, literalmente, dado por um professor em sala de aula, e nunca buscar um conhecimento a mais. Fácil e Burro. Profissionais medíocres. Mais uma vez a aparência. Manter as aparências de ser graduado e só.
O reflexo que você tem de mim, passa longe do que realmente sou. É fácil demais se esconder. Mas o mais fácil é não ter o que esconder. Ser tão superficial que é só aquilo ali mesmo: Alguém que está ali somente para atrair outro alguém. E pronto, simples, fácil e sem graça.
Um dia li isso em algum lugar, não sei de quem é mas achei certo: “Antes as pessoas buscavam ser. Depois, como não conseguiam mais ser, passaram a buscar ter. Hoje, como não conseguem nem ser e nem ter, se contentam com parecer".

7 de abril de 2009

outro outono.




Outono. Outono pra mim é uma daquelas palavras que tem um sentido 'extra literal'. O seu outro sentido é o da lembrança, da saudade. Penso em outono, estou no outono e lembro dos outros outonos, dos outonos dos outros. Tem gente que tem isso com o verão - mas o verão pra mim remete à alegria e o outono à angustia.


É a angústia. Percebi já ter mais de um ano inteiro que não escrevo aqui e nem ali. Não escrevi nada o ano passado e pra mim foi um outono sem lembranças. Um ano ruim? Não. Produtivo - emprego, faculdade, namorado. Estável. Estável demais. Não que não os quero mais. Mas quero tê-los com mais. Ler mais livros, ouvir mais músicas, arrumar meu guarda roupa (falo disso depois), desfazer os nós. Comecei com a desculpa do tempo, mas por motivos claros ela não colou. Quando digo que penso no outono dos outros, penso nos outonos que poderia ter pra mim. Nas lembraças que eu quero ter, e daqui alguns anos me angustiar lembrando delas - todo mundo fala que no fim é isso que vale. A angústia vale.


Por isso eu digo: Tenho, literalmente, que organizar meu guardarroupa (agora sem hífen?).




21 de dezembro de 2007

Deixe Estar

Um respirada depois da aflição da dúvida e decisão!
E mesmo parecendo uma contradição muito grande, (com os outros posts) agora estou animada para o próximo ano, e é verdade quem um dia disse que a dúvida traz o medo. To me sentindo nova, ainda tenho muito receio do que possa vir, mas ahhhhh! O que seria da vida se não fosse as surpresas? E como dizia Carlos Hilsdorf "Tudo que vale a pena na vida é mais difícil. O resto qualquer um consegue". Isso pode ser apenas um surto de ânimo e coragem, mas o melho é "não analisar" e seguir em frente... Foram meses bem dificeis e se for pra ficar sofrendo por antecedencia, do que vale a pena a vida? E realmente: "Por pensar demais, eu preferia não pensar demais dessa vez "

12 de dezembro de 2007

Maçã

O abandono foi pela dúvida e insegurança que estava em mim nesses dias. Nem escrever, que é uma das coisas que mais sinto prazer, não conseguia concretizar. Sou assim, e quero deixar de ser, quando a turbulência chega, deixo tudo pra depois e vou abandonando coisas como esse blog.
Mas como disse no post anterior, o final do ano chegou como uma bala, ou foi o ano que passou mais depressa? E como todos os anos, pensamos não ter realizado nem a metade do que nos propomos, mas acho que vou sair desse ano bem. Foi um ano bem conturbado, de mudanças extremas, de crescimento interno como nunca vi. E isso tornou um ano melhor.
Estou chegando ao final desse ano, como nunca cheguei antes, com medo do próximo e não com a vontade que ele chegue para mais realizações. ei que será um ano tão, ou mais importante como esse e deve ser por isso o medo.
Mas não vim até aqui com o propósito de falar do ano velho, e sim demonstrar como eu percebi fragilidade nas pessoas quando têm de decidir alguma coisa bem relevante. E nós homens que comandamos nosso corpo tão imponentemente, vimos o sono se esvair, o estômago queimar e doer, os cabelos cairem, a paciência se esgotar quando estamos frente a frente à uma decisão de importancia incontestada.
Existe momento que queremos auxílio, mas não queremos falar, porque parece que ninguém vai entender qual é a real. E se torna melhor calar e pensar e pensar, mesmo que seja na madrugada. O medo que temos de errar é imenso, como se alguem algum dia tivesse dito que isso é fruto proíbido. Talvez o nosso orgulho tenha dito isso. Orgulho que não deixa nem a ajuda se aproximar.
E o mais interessante, é que depois que a decisão é tomada temos ainda a cara de pau, de dizer que não estamos muito aí pra isso, que o que for, vai ser. Se fossemos tão corajosos como orgulhosos, não digo que seria mais fácil, mas garanto que iria ser menos doloroso.